Tratamento em casa, adaptação dos filhos e esperança no Rio: Os desafios da família de brasileira em estado vegetativo que voltou dos EUA

Tratamento em casa, adaptação dos filhos e esperança no Rio: Os desafios da família de brasileira em estado vegetativo que voltou dos EUA

A manicure, de 32 anos, permanece internada no Hospital Ana Nery, onde se recupera de uma infecção urinária e segue sem alterações no quadro neurológico. Agora, a expectativa da família é que, após a alta hospitalar, ela continue o tratamento em casa, em um ambiente preparado para atender as necessidades clínicas. O g1 reuniu os desafios que os familiares da juiz-forana vão enfrentar. Veja, abaixo, ponto a ponto. Casa adaptada para receber Fabíola Casa no Granjas Bethel é preparada para receber brasileira em estado vegetativo em Juiz de Fora — Foto: Nathália Fontes/g1 Zona da Mata Um dos principais focos neste momento é a casa comprada no Bairro Granjas Bethel, em Juiz de Fora. O imóvel foi adquirido com recursos arrecadados em campanhas solidárias e passa por adaptações para garantir acessibilidade, segurança e conforto para a continuidade do tratamento de Fabíola em casa. Conhecido como home care, o modelo permite a continuidade dos cuidados fora do ambiente hospitalar. No Brasil, esse tipo de atendimento pode ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por planos de saúde, conforme a indicação médica e a disponibilidade local. Segundo o marido, Ubiratan Rodrigues, de 41 anos, as mudanças no imóvel incluem adequações no quarto, no banheiro e na entrada da residência, que antes tinha apenas escadas. A ideia é oferecer um ambiente acolhedor e funcional para a manicure. “Cada detalhe está sendo pensado com muito cuidado, para que ela possa ficar bem assistida e segura”, afirmou Ubiratan em entrevistas recentes ao g1. O home care pode incluir: acompanhamento de médicos; enfermeiros; fisioterapeutas;fonoaudiólogos e outros profissionais; além do fornecimento de equipamentos, medicamentos e orientações aos familiares. O objetivo é garantir assistência contínua, reduzir riscos de infecção hospitalar e proporcionar mais conforto ao paciente. A família espera que Fabíola passe a receber acompanhamento pelo SUS nesse modelo após a alta. Esperança em tratamento especializado Além do tratamento domiciliar, a família também deposita esperança na possibilidade de atendimento em um hospital particular no Rio de Janeiro, especializado em casos neurológicos semelhantes ao dela. A alternativa é vista como uma nova chance de cuidado especializado e de estímulos que podem contribuir para a qualidade de vida da juiz-forana. Ainda não há definição sobre datas ou procedimentos, e a decisão dependerá de avaliações médicas e da viabilidade do deslocamento. Adaptação dos filhos ao Brasil Família de Fabíola Costa comemorou o aniversário de 32 anos nos EUA (o rosto dela foi borrado a pedido da família) — Foto: Ubiratan Rodrigues/Arquivo Pessoal Enquanto enfrenta as questões médicas, a família também lida com outro desafio importante: a adaptação dos filhos à nova realidade no Brasil. Depois de anos de residência nos Estados Unidos, os três filhos de Fabíola e Ubiratan, de 17, 14 e 5 anos, retomam a rotina em Juiz de Fora, em meio a mudanças que envolvem escola, idioma, hábitos e convivência familiar. Conforme o pai, o processo será feito de forma gradual, com apoio de parentes próximos. “Tudo vai ser aos poucos. Eles também passam por muitas mudanças ao mesmo tempo”, completou. Entre expectativas, cuidados e reorganização da vida, a família segue unida diante dos desafios que ainda virão e aposta no acolhimento, no tratamento contínuo e na esperança de dias mais estáveis no Brasil. 🕒 Cronologia do caso Fabíola Costa 🛫 De Juiz de Fora aos EUA: o início de uma nova vida Fabíola Costa e a família foram para os EUA em busca de uma vida melhor — Foto: Ubiratan Rodrigues/Arquivo Pessoal 2019: Fabíola e Ubiratan se mudam para os EUA em busca de melhores oportunidades, com os dois filhos mais velhos;Mudança inicial para Newark, em Nova Jersey, e, após o nascimento da filha caçula (hoje com 5 anos), ida para Orlando, na Flórida;Fabíola trabalhava como manicure. Já Ubiratan vivia como caminhoneiro. ⚠️ Setembro de 2024: o mal súbito 2024: Fabíola, que não tinha histórico de doenças, sofre um mal súbito em casa no dia 20 de setembro e é levada ao hospital pelo enteado e outros dois filhos. O marido dela trabalhava em outro estado na ocasião;Ela sofre três paradas cardíacas e uma perfuração no pulmão, causada durante a reanimação;Fabíola tem uma lesão cerebral grave e entra em estado vegetativo;Ainda não há diagnóstico conclusivo da causa até hoje, segundo a família. 🏥 Setembro de 2024 a abril de 2025 Fabíola fica internada por 7 meses com cobertura parcial das despesas pelo plano de saúde;O estado dela se estabiliza, mas ela não recupera a consciência;A alta hospitalar é concedida em abril de 2025. 🏠 Abril de 2025 em diante: tratamento domiciliar Um quarto é adaptado na casa dela, em Orlando, com suporte básico;Ubiratan assume todos os cuidados, como banho, alimentação por sonda, medicamentos, fisioterapia, exercícios de fonoaudiologia e higiene pessoal;Ele conta com apoio esporádico de uma enfermeira e de amigos fisioterapeutas. 💰 Gastos acumulados ultrapassam R$ 500 mil Conforme Ubiratan, o total das despesas desde o mal súbito passou de R$ 500 mil;O plano de saúde não cobria as sessões regulares de fisioterapia, as fraldas, os curativos e outros materiais básicos nos EUA;Medicação, vitaminas e alimentos via sonda são bancados pela família e por doações. 🚐 Motorhome adaptado: a alternativa possível Em outubro, Ubiratan anunciou que pretendia retornar com a esposa e os três filhos ao Brasil por terra, em um motorhome adaptado;O custo estimado para compra do veículo e de deslocamento era de R$ 200 mil;A viagem de 50 dias iria passar por 11 países e quase 7 mil km, mas a chegada de um gesto solidário fez Ubiratan desistir da ideia. ✈ Viagem em avião particular Brasileira em estado vegetativo volta ao Brasil após mais de um ano nos EUA — Foto: Arquivo pessoal Após a mobilização, um avião particular a transportou de volta para Juiz de Fora no dia 20 de outubro;A mãe dela acompanhou a viagem, e o desembarque aconteceu na noite do dia 20 de outubro no Aeroporto Regional da Zona da Mata, em Goianá, cidade vizinha a Juiz de Fora. A viagem durou cerca de 9 horas;Ubiratan revelou em uma live que o transporte foi feito de forma gratuita, e que o dinheiro arrecadado será usado para o tratamento futuro;Fabíola foi internada no Hospital Ana Nery, onde segue recebendo cuidados médicos. 👨‍👩‍👧‍👦 Reencontro em Juiz de Fora Na noite de 29 de dezembro, Ubiratan e os três filhos saíram de Orlando, nos Estados Unidos, e desembarcaram no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte na manhã do dia 30. Em seguida, seguiram viagem para Juiz de Fora de carro.A família comprou uma casa no Bairro Granjas Bethel, que passa por adaptações para receber Fabíola e permitir a moradia em Juiz de Fora.Fabíola permanece internada no Hospital Ana Nery e ainda não há previsão de retorno para casa, onde dará continuidade ao tratamento. *estagiária sob supervisão de Carol Delgado. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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