A análise, feita a partir de boletins de ocorrência da Secretaria da Segurança Pública (SSP), aponta que 1.145 casos foram registrados apenas nesses trajetos, de um total de 6.067 ocorrências contabilizadas na cidade ao longo dos oito dias de folia. A estimativa da prefeitura é que o carnaval tenha levado 16 milhões de pessoas às ruas, distribuídas por mais de 600 blocos espalhados por todas as regiões da capital — cenário que contribui para a concentração dos crimes em áreas de grande fluxo. As vias com mais registros de roubos e furtos de celulares são: Avenida Pedro Álvares CabralRua da ConsolaçãoAvenida Marquês de São VicenteRua AugustaPraça da República Prefeitura de SP diz que vai ampliar saídas e colocar agentes dentro dos trios no carnaval após superlotação em megablocos Esses trechos fazem parte de circuitos tradicionais de megablocos, como o Pipoca da Rainha, de Daniela Mercury, e o Acadêmicos do Baixo Augusta. Em 2025, São Paulo contou com 601 blocos oficialmente cadastrados. A Avenida Paulista, que costuma liderar o ranking de roubos e furtos de celulares, ficou na oitava posição no levantamento. Durante o carnaval, o cartão-postal da cidade não recebe cortejos, mas fica próximo a trajetos importantes de blocos. 🔎 Para o levantamento, foram consideradas todas as ocorrências registradas nos períodos de pré-carnaval (22 e 23 de fevereiro), carnaval (1º a 4 de março) e pós-carnaval (8 e 9 de março) do ano passado. Ranking das vias com mais roubos e furtos de celulares no carnaval 2025 em São Paulo — Foto: Arte/g1 Para conferir quais os endereços com mais registros de ocorrência, busque pelo nome da rua no infográfico abaixo: Somente os 11 circuitos de megabloco concentraram 1.145 ocorrências, cerca de 19% do total registrado. Veja a divisão por endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral: 329Rua da Consolação: 241Avenida Marques de São Vicente: 198Rua Augusta: 158Praça da República: 73Avenida Brigadeiro Faria Lima: 44Rua Henrique Shaumann: 39Rua dos Pinheiros: 28Rua Laguna: 27Avenida Paulo VI: 8Avenida Hélio Pellegrino: 0 Entre os bairros, República e Consolação lideraram o ranking, com 529 e 519 ocorrências, respectivamente. Segundo o levantamento, os dez bairros com maior número de roubos e furtos de celulares durante o carnaval somaram 2.735 registros, o equivalente a 45% do total. As áreas mais críticas estão concentradas no Centro (República, Consolação, Bela Vista e Santa Cecília), na Zona Oeste (Pinheiros, Barra Funda, Jardim Paulista e Várzea da Barra Funda) e na Zona Sul (Moema e Vila Mariana). Procurada, a SSP informou, em nota, que “as regiões citadas são monitoradas de forma permanente, com reforço do policiamento preventivo e ostensivo no Carnaval. Ao longo do pré-carnaval do ano passado, houve uma redução de 60% de crimes desta natureza e, durante o Carnaval, os roubos de aparelhos tiveram uma queda de 36% e os furtos 24%”. (leia na íntegra abaixo.) Veja distribuição dos bairros com mais roubos e furtos de celulares no carnaval 2025 em São Paulo. — Foto: Arte g1 Aglomeração de foliões e distração Para Alan Fernandes, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e doutor em administração pública e governo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os números estão dentro do esperado em razão da quantidade de foliões e a densidade de público nos megablocos. Em 2025, o carnaval atraiu 16 milhões de pessoas à cidade ao longo dos oito dias, segundo a prefeitura. “Você tem muitas pessoas expostas às práticas do crime, sobretudo em um contexto de diversão. Os foliões ficam menos atentos ao entorno, estão aglomerados, e esse cenário favorece os furtos de celulares. Então, consumo de álcool, distração, o próprio evento, favorece que elas sejam vítimas desse crime”, explica Fernandes. O professor da FGV e membro do FBSP Rafael Alcadipani também destaca que a combinação entre distração, consumo de álcool e características urbanas dos blocos cria um ambiente propício para a ação criminosa. “O que afeta é a densidade de pessoas, a organização das vias, muitas delas são muito estreitas, a falta de policiamento efetivo, a falta de inteligência na forma de abordar e de lidar com esses criminosos, acabam gerando, sim, a possibilidade e facilitando para que o criminoso possa realizar o roubo”, complementa. Segundo os especialistas ouvidos pelo g1, o reforço do policiamento, ações de inteligência, uso de câmeras de monitoramento e campanhas educativas são medidas fundamentais para reduzir os índices de roubos e furtos durante o carnaval. Metodologia Os dados apresentados nesta reportagem foram coletados na página de Transparência da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo. Seguindo instruções da SSP, foram eliminados os registros duplicados com base nas colunas DELEGACIA_CIRCUNSCRICAO, NUM_BO e o ano do registro de ocorrência, retirado da coluna DATAELABORACAO. Também foram descartados os boletins de ocorrência cujos endereços não estavam disponíveis ou constavam como “vedação da divulgação dos dados relativos”. Esses casos incluem registros feitos com endereço da residência da vítima, condomínios, hospedagens e outros tipos de imóveis. A análise do g1 identificou ainda que alguns endereços aparecem associados a mais de um bairro, a depender do trecho da via e do responsável pelo registro do boletim. A Avenida Faria Lima, por exemplo, concentra ocorrências classificadas tanto no Itaim Bibi quanto em Pinheiros. Para o levantamento, foi considerado o bairro que consta no registro da ocorrência. O que diz a SSP “A Secretaria de Segurança Pública esclarece que, conforme análise da Diretoria de Consolidação de Dados Estatísticos, o total de roubos e furtos de celulares na capital, nos períodos indicados pela reportagem, foi de 3.779 ocorrências. As regiões citadas são monitoradas de forma permanente, com reforço do policiamento preventivo e ostensivo no Carnaval. Ao longo do pré-carnaval do ano passado, houve uma redução de 60% de crimes desta natureza e, durante o Carnaval, os roubos de aparelhos tiveram uma queda de 36% e os furtos 24%. Para este ano, em toda a capital, a Polícia Militar atuará diariamente com cerca de 5,2 mil policiais e 2,5 mil viaturas, além do apoio de drones e câmeras do Programa Muralha Paulista, que permitem monitoramento em tempo real a partir do Copom.”
Megablocos concentram quase 20% dos roubos de celulares no carnaval de SP; veja quais as ruas com mais casos
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