Os EUA declararam guerra contra o fast food?

Os EUA declararam guerra contra o fast food?

O plano é parte do movimento “Faça a América saudável de novo”, liderado pelo secretário de Saúde do Trump. No domingo (8), no intervalo do Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, o ex-lutador Myke Tyson apareceu em um comercial dizendo “comam comida de verdade” e dando uma mordida numa maçã. A propaganda reflete as novas diretrizes nutricionais do governo, que são lançadas a cada cinco anos. O diagnóstico atual é que os Estados Unidos estão doentes. Três em cada quatro americanos têm uma doença crônica. E isso é responsável por 90% dos gastos do sistema de saúde americano. Isso poderia mudar se os americanos fizessem uma coisa que a gente costuma ouvir desde pequeno dos nossos pais: se alimentar melhor. Eles lançaram uma guerra contra açúcares adicionados e alimentos ultraprocessados, o que já tinha passado a hora de fazer. É bem verdade que faltou definir no documento o que são ultraprocessados. Mas a gente sabe que isso é referência a comidas fast food, congelados prontos, salgadinhos, refrigerantes, entre outras coisas. “Estamos encerrando a guerra contra as gorduras saturadas. … Hoje, nosso governo declara guerra ao açúcar adicionado… Minha mensagem é clara: comam comida de verdade”, disse Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde dos EUA. Mas a polêmica é a seguinte: eles sugerem inverter a pirâmide alimentar, comer menos carboidratos e aumentar a dose de proteína. A recomendação para uma pessoa que tem 75 quilos, por exemplo, subiu de 60 gramas de carne vermelha por dia para 90 a 120 gramas. São dois bifes todos os dias. E as diretrizes recomendam focar exatamente nas fontes animais de proteína, especialmente carne vermelha. E consumir leite integral, em vez de leite desnatado ou semidesnatado. São duas coisas que acabam aumentando a ingestão de gordura saturada, que a ciência já sabe que eleva o risco das doenças que todo mundo quer evitar: diabetes, doenças cardíacas e derrames. E não dá para esquecer do impacto ambiental. Isso significa mais gado e mais geração de gases do efeito estufa. Ingerir proteínas vindas de plantas, por exemplo, polui muito menos. Essas novas diretrizes devem impactar diretamente 30 milhões de crianças e adolescentes americanos que comem nas escolas todos os dias. Consumo de fast food está associado ao crescimento do número de casos de diabetes e obesidade — Foto: Getty Images

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