O relatório do BC revela ainda que o Master fez um contrato com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em maio deste ano para honrar compromissos com clientes que ele já não conseguia bancar. Traz ainda todo histórico das negociações para que o Master conseguisse aportes para seguir em operação, todas infrutíferas, e as transações irregulares identificadas entre Master e BRB na tentativa de venda do banco privado para o público do governo do Distrito Federal. O documento foi solicitado pelo ministro do TCU, Jonathan de Jesus, que classificou a decisão do Banco Central de precipitada (leia mais abaixo). Veja os vídeos que estão em alta no g1 O ministro fez o pedido, classificado de inusual, diante de provocações do Ministério Público do tribunal e de um pedido da liderança da minoria na Câmara dos Deputados. O documento é assinado pelos diretores de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, e de Reorganização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, afastando as especulações de que os dois estavam divididos e com posições divergentes sobre o processo que culminou na liquidação do banco Master. A nova fraude que teria sido descoberta pelo Banco Central foi comunicada ao Ministério Público Federal no dia 17 de novembro de 2025, mesmo dia em que a PF fez uma operação que levou à prisão de Daniel Vorcaro por prática de fraudes bancárias na casa de R$ 12,2 bilhões, com a venda de carteiras de crédito falsas ou sem lastro para o BRB. No dia seguinte, o BC determinou a liquidação do banco Master. Essa nova fraude teria sido montada pelo Master para atender uma exigência do Banco Central de fazer novos aportes de capital para que o conglomerado de Daniel Vorcaro continuasse operando. O relatório revelou ainda que, no dia 4 de maio de 2025, diante das dificuldades para honrar compromissos com seus clientes, o Master firmou um contrato de assistência de liquidez de curto prazo com o Fundo Garantidor de Crédito. Para fechar o acordo, o FGC proibiu que o Master captasse recursos pela venda de CDBs com taxas acima de 100% do CDI. Um dos problemas de liquidez do Master foi exatamente vender CDBs com taxas acima de 100% do CDI, em alguns casos chegando a 140%, o que gerou dificuldades para honrar seus compromissos. Depois do acordo, entre maio e outubro de 2025, o BC relatou ao TCU que o Master conseguiu captar apenas R$ 90,2 milhões com taxas inferiores a 100% do CDI. Enquanto isso, no mesmo período, o FGC destinou cerca de R$ 4,3 bilhões para a quitação de CDBs emitidos pelo banco de Vorcaro que venceram no mesmo período. Isso mostra como o Master já não tinha mais capacidade de funcionamento. Banco Central apresenta ao TCU histórico da crise financeira do Banco Master — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
