O episódio ocorreu em 23 de janeiro. Um vídeo feito pela irmã da vítima e enviado ao g1 mostra o momento em que a mulher estava esperando para ser atendida na padaria do mercado, quando um cliente a abordou e disse: “Muçulmano degola judeu e cristão em todo o mundo” (veja acima). Em seguida, o homem percebeu que estava sendo filmado e continuou: “Pode gravar, aqui é um cristão. Pode cortar meu pescoço, muçulmano. Não tenho medo de muçulmano”. O g1 tenta localizar Marcel e sua defesa para ouvir sua versão dos fatos. Segundo o advogado da vítima, Luis Junqueira, o autor das ofensas foi identificado após funcionários do supermercado anotarem a placa da motocicleta utilizada por ele para deixar o local. Com base nessa informação, a polícia confirmou que Marcel era o autor das ofensas registradas em vídeo. “Fizemos a representação dele, e o inquérito policial foi aberto por crime racial e religioso. Também fiz um pedido de medida protetiva para a segurança da minha cliente”, disse o advogado. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que “a vítima foi ouvida, o autor identificado e demais diligências seguem em andamento para o completo esclarecimento dos fatos”. ‘Muito medo’ Cliente de mercado ataca mulher muçulmana com ofensas religiosas em Barueri — Foto: Arquivo Pessoal Ao g1, a vítima, que é brasileira, disse que se tornou muçulmana após se casar com um libanês e que o caso lhe deu muito medo. “O ocorrido me causou muito medo. Usar sua fé, suas roupas ou símbolos religiosos é um direito constitucional. Nada justifica agressões verbais, ameaças ou discurso de ódio. Ofender alguém em razão de sua religião é crime no Brasil. No meu caso, trata-se de intolerância religiosa, além de injúria qualificada”, afirmou a vítima. No registro do boletim de ocorrência, a mulher informou à polícia que chegou a falar para o homem que ele estava cometendo um crime de intolerância religiosa e que acionaria uma viatura policial. “Após isso, ele fugiu local em uma motocicleta. A equipe de segurança do estabelecimento prestou total suporte e me orientou a registrar o boletim de ocorrência, narrando os fatos para as devidas providências e possível identificação do autor”, afirmou à polícia.
